Fundação de Ciência e Tecnologia
Bem-Vindo!
19 de Junho de 2019, 11:18
Siga-nosCientec RSSCientec no Twitter
Página Inicial  >  Notícias  >  A Ciência da Emoção
Secretaria do Trabalho e Desenvolvimento Social
Brasão Governo do Estado do Rio Grande do Sul
Imprimir   Fechar
Notícias
Prof. Guy Barcellos e os alunos do Instituto Paulo da Gama
Prof. Guy Barcellos e os alunos do Instituto Paulo da Gama

A Ciência da Emoção

Alfabetizar cientificamente é muito mais que transmitir conteúdos, trabalhar conceitos e explicar fenômenos. Ensinar Ciências não se restringe a fazer experimentos e entendê-los, este fazer compreende o estudo da história da Ciência.

Esta que é um construto humano visa explicar e traduzir a natureza através do pensamento racional.

Esta racionalidade (pode) ocorre(r) teoricamente ou na realização das pesquisas, mas, como disse, a Ciência é um construto humano e, sendo-o, é também repleta de irracionalidades, incoerências, injustiças e, algumas vezes, atrocidades... O ensino de qualidade não se preocupa tanto com engavetar os conteúdos, mas em compreendê-los e, acima de tudo, senti-los e significá-los... A história da Ciência pode mostrar-se como um eficiente catalisador desta qualificação, visto que, sendo encharcada de realidade, pode ser elemento de análises sociológicas e filosóficas e reflexões sobre valores e ética.

Os professores e as escolas não devem bastar-se na história contada (e feita) por europeus e estadunidenses, é mister que se olhe para a saga científica de nosso país, que atentemo-nos ao panteão de cientistas brasileiros. Nossa trajetória é cravejada de brilhantes pesquisadores, pensadores e inventores, como Carlos Chagas, Oswaldo Cruz, Afrânio Peixoto, Alberto Santos Dumont, César Lattes, Francisco Salzano entre outros. Isto não é espuma patriótica, ufanismo vazio ou bravata nacionalista! Olhar para nossos grandes e mostrá-los a nossos alunos é ensinar que todos podem ser agentes de transformação de seus mundos exteriores e interiores.

Este olhar reverencioso, embora não idólatra, problematizado e amarrado ao pensamento crítico podem aumentar e burilar a autoestima dos alunos, o que é fundamental para que sintam-se seguros e capazes de enfrentar a realidade, nem sempre amigável, que os cerca. Um exemplo que pode carburar nos estudantes uma reflexão profunda é a pungente biografia do gaúcho Roberto Landell de Moura, o “incrível padre inventor”. O livro, já esgotado, de Ernani Fornari chamou-me a atenção há muitos anos quando conheci este gênio que foi, em seu tempo, vilipendiado e, hodiernamente, esquecido; Principalmente nos livros didáticos...

O mais chocante de sua história é que foi reconhecido em terras estrangeiras mas, “em casa”, foi subjugado por Guglielmo Marconi na visão da opinião pública e considerado um lunático por autoridades menos iluminadas... No entanto, retomando a necessidade de os alunos aprenderem sobre este cientista surge, rapidamente, a questão: “como fazê-lo?”. Somente falar sobre ele em sala de aula geraria meras percepções. É preciso mais...

Recentemente tive a oportunidade, proporcionada pela CIENTEC, de levar 160, de meus mais de 350 alunos, a assistir à peça “Landell de Moura, o incrível padre inventor” de Hércules Grecco, dirigida por Camilo de Lélis. Com elenco de peso, produção bonita e muito dinâmica e de comunicação fácil. A ocasião foi um acontecimento para muitos alunos que, muitos pela primeira vez, foram ao teatro.

Estas crianças puderam aprender a história de um homem que fez a primeira transmissão de voz sem o uso de fios (no mundo!) e não foi levado a sério por seu

país. Estes estudantes, além de perceberem, puderam sentir, compreender e significar a importância científica deste inventor, bem como a importância social, cultural e ética do que (não) ocorreu com ele. Talvez estes alunos sejam, não no futuro, mas já, aqueles que irão reconhecer o que é genial e inovador, o que é certo, o que é belo e o que é importante sem julgar de onde vem ou quem/como é o autor. Esta peça, um verdadeiro caleidoscópio de sons, cores e sentimentos, catalisou nos alunos uma forma muito mais intensa e marcante de aprender: a emoção.

Alfabetizar cientificamente é muito mais que colocar na visão dos estudantes a lente da Ciência, é transformá-los em cidadãos justos e em seres humanos gerativos, capazes de construir seus mundos com qualidade de vida e justiça.

Agradeço imensamente à produtora Silvia Abreu, ao diretor Camilo de Lélis e ao diretor executivo da CIENTEC Henrique Schuster. A Arte e a Ciência, de mãos dadas podem não mudar o mundo, mas, sem dúvida, o deixarão diferente...

Prof. Me. Guy Barros-Barcellos Biólogo,
Mestre em Educação em Ciências e Matemática
Doutorando em Educação em Ciências e Matemática
pela PUCRSDocente de Ciências e Biologia do I. E. E. Paulo da Gama

 

FORNARI,Ernani. O incrível Pe. Landell de Moura. Biblioteca do Exército Editora, Rio de Janeiro: 1984.

Publicação 13.05.2013 às 10:57
Fundação de Ciência e Tecnologia
Rua Washington Luiz, 675
Porto Alegre - RS. CEP: 90010-460
E-Mail: cientec@cientec.rs.gov.br - SEDE: +55 (51) 3287-2000 Fax: +55 (51) 3226-0207
CAMPUS: +55 (51) 3439-6300
Orçamento
Incubadora Sede
Incubadora Sede

Incubadora

O Departamento de Incubadoras e Extensão Tecnológica foi criado em resposta as políticas nacionais de estímulo à inovação com intuito de promover a aproximação e integração da CIENTEC, principal instituição pública de P&D do estado, com o setor produtivo local. A ele está vinculada a incubadora mult...
Acessar o hotsite
Expediente
Rua Washington Luiz, 675
Porto Alegre - RS. CEP: 90010-460
Horário de Atendimento
Sede: das 8:30 às 12:00 e das 13:30 às 17:00
Campus: das 9:00 às 12:00 e das 13:00 às 16:00
de segunda à sexta.
Contatos
E-mail: cientec@cientec.rs.gov.br
Fone:
SEDE: +55 (51) 3287-2000 Fax: +55 (51) 3226-0207
CAMPUS: +55 (51) 3439-6300
Desenvolvido pela PROCERGS