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Empreendimentos maiores poderão ser colocados “na boca” de uma mina
Empreendimentos maiores poderão ser colocados “na boca” de uma mina

Gaseificação surge como alternativa energética


Processo químico que produz gás por meio da injeção de vapor d'água ganha espaço na geração de energia. O procedimento apresenta uma vantagem em relação à geração termelétrica tradicional através do carvão, porque é mais fácil de capturar o CO2.

Empreendimentos maiores poderão ser colocados "na boca" de uma mina Devido ao impacto ambiental que provoca, o carvão vem sofrendo constantes dificuldades para elevar sua participação na matriz de energia elétrica nacional. Os empreendedores envolvidos com esse setor já buscam opções para que o insumo seja aproveitado, e uma das sugestões avaliadas no momento é a da gaseificação, que consiste em uma reação química com a injeção de vapor d’água, gerando gás.

Recentemente, uma delegação do Brasil, com a presença do presidente da Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM), Fernando Zancan, visitou o Gasification Tecnology Institute (GTI), em Chicago, nos Estados Unidos. Na ocasião, foram discutidos os testes de carvões brasileiros no instituto com a empresa Syntesis Energy Systems, que detém a licença da tecnologia de gaseificação U-GAS, e o modelo comercial de aplicação dessa inovação no Brasil. Zancan relata que engenheiros da Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina (SATC) são treinados nos Estados Unidos com o objetivo de capacitar os pesquisadores e aprofundar sobre a possibilidade ou não de não gaseificar o carvão nacional e quanto custaria esse procedimento. A Secretaria de Infraestrutura e Logística (Seinfra) do Rio Grande do Sul, inclusive, enviará amostras de carvão gaúcho para o GTI. Segundo Zancan, o levantamento sobre a viabilidade da gaseificação do mineral deverá ser concluído em meados do próximo ano.

O gerente-executivo da Seinfra, Rui Dick, antecipa que a iniciativa passa pela contratação da empresa Vamtec Vitória, que possui parceria com a Syntesis Energy Systems. Ele detalha que serão colhidas duas amostras representativas de carvão gaúcho, uma da jazida de Candiota e outra de jazida do Baixo Jacuí. Esses itens serão submetidos a testes de gaseificação de bancada em laboratório norte-americano. O produto final será um relatório, com conclusões sobre a viabilidade técnica e econômico-financeira de geração de gás a partir das jazidas de carvão do Estado. Também indicará se é viável ou não a implantação de plantas de gaseificação em escala industrial.

O secretário da Seinfra, Beto Albuquerque, revela que a pasta deverá gastar na pesquisa aproximadamente US$ 320 mil. “A gaseificação pode ser uma importante alternativa energética para o Rio Grande do Sul”, defende o dirigente. Ele ressalta que estatais como a CRM (carvão), Sulgás (gás) e o Grupo CEEE (energia), poderão, futuramente, apoiar ações nessa área.

Zancan antecipa que a sequência desses trabalhos será a realização de testes-pilotos e comerciais. Se houver a indicação da viabilidade, em dois anos a intenção é instalar um projeto de gaseificador no Brasil, de médio ou grande porte, ou de menor tamanho. No caso de Santa Catarina, unidades de pequeno porte, com um investimento menor, poderiam atender às empresas de cerâmica. Também há a possibilidade de um empreendimento de proporções maiores, colocado “na boca” de uma mina, como a de Candiota, para abastecer até mesmo um polo siderúrgico. O executivo comenta que esse município gaúcho encontra-se próximo ao Uruguai, e pode fornecer minério de ferro para as companhias interessadas. Ele reforça que a propriedade física do gás do carvão é semelhante ao do natural.

O dirigente lembra ainda que a região não possui reservas locais de gás natural. “As indústrias de Santa Catarina e as gaúchas estão impedidas de crescer por conta de não ter oferta de gás, e é caro trazer de fora”, aponta Zancan. Ele acrescenta que uma solução sugerida foi a construção de um terminal de Gás Natural Liquefeito (GNL) em algum dos dois estados. No entanto, o dirigente ressalta que o produto continuará com um preço elevado.

O gás pode ser “mais pobre”, para ser queimado em fornos, para uso da indústria de cerâmica, ou de alto valor calorífero, para substituição do gás natural. O presidente da ABCM acredita que o custo da gaseificação pode ser competitivo em relação ao do gás natural disponibilizado atualmente no mercado. O dirigente admite que, mesmo no processo de gaseificação, é gerada a emissão de CO2. Entretanto, ele explica que esse procedimento apresenta uma vantagem em relação à geração termelétrica tradicional através do carvão, porque é mais fácil de capturar o CO2 após o processo.

 

Estado tem condições de formar um polo carboquímico

O Rio Grande do Sul detém cerca de 90% das reservas de carvão mineral do País. Se for desenvolvida a técnica de gaseificação no Estado, empresas do setor poderão almejar objetivos audaciosos, como a formação de um polo carboquímico na região. “É possível gerar produtos com maior valor agregado como diesel, metanol, amônia entre outros, há uma série de rotas químicas a partir desse gás”, ressalta o coordenador do Projeto Procarbo desenvolvido pelo Centro de Excelência em Pesquisa e Inovação em Petróleo, Recursos Minerais e Armazenamento de Carbono da Pucrs, professor Roberto Heemann. Ele esclarece que o Procarbo envolve vários projetos em conjunto. Entre eles, está o armazenamento geológico de carbono em camadas de carvão (nas jazidas Charqueadas, em Triunfo), com a produção associada de gás metano. Essa foi uma fase inicial do projeto, feita em parceria com a Petrobras e com a Copelmi Mineração.

A segunda etapa da iniciativa é o levantamento sobre a gaseificação do carvão, tanto em superfície, com a mineração convencional, quanto abaixo da superfície. Heemann explica que a vantagem desse último processo em relação ao primeiro é que a gaseificação na superfície acarreta um elevado custo para construir um gaseificador e, na subterrânea, a camada de carvão é o próprio reator.

Heemann argumenta que o próximo passo é começar um projeto-piloto com a meta de promover a gaseificação. Ele crê que, entre as prováveis interessadas em apoiar esse empreendimento, estarão empresas como a Petrobras, Braskem, MPX, Copelmi Mineração, entre outras. “Seria o início de um polo carboquímico, um grande sonho do nosso Estado”, diz Heemann.

O pesquisador e coordenador do laboratório de gaseificação da Fundação de Ciência e Tecnologia (Cientec), Rodnei Gomes Pacheco, argumenta que a gaseificação, basicamente, é a transformação do carvão mineral em um gás combustível ou de síntese. Ele comenta que o processo pode ser aproveitado, por exemplo, para trabalhar em ciclos combinados para a geração de energia elétrica. “Essa é uma rota que está sendo bastante abordada no mundo”, frisa o pesquisador.

Outro benefício, conforme ele, é que se trata de um combustível fácil de transportar e de uso para a produção de calor em tanques ou em fornos. “E quando transformamos o carvão em gás, podemos reduzir alguns impactos ambientais também”, indica Pacheco. Como o gás queima mais facilmente, a dessulfurização torna-se mais simples. “Outra opção é a carboquímica”, reitera o dirigente. Ele ressalta que um gás de síntese pode ser aproveitado para produzir diversos compostos químicos. Pacheco informa que essa ação é muito empregada na África do Sul, que chega a fabricar gasolina a partir do carvão mineral.

Quanto às pesquisas realizadas na Cientec, ele revela que a fundação planeja desenvolver um estudo para produzir metanol a partir do carvão. Além disso, está sendo trabalhada a transformação da madeira em gás combustível, que por sua vez pode ser utilizado em motores de combustão interna. O insumo, entre outras finalidades, poderia ser aproveitado pelos automóveis, da mesma forma que acontece com o gás natural veicular (GNV).

Pacheco admite que um dos empecilhos que precisa ser solucionado é a “limpeza” desse gás, porque ele gera muito alcatrão, o que pode prejudicar os equipamentos, diminuindo a vida útil deles. “Resolvido isso, podemos produzir energia a partir de uma biomassa de uma maneira bastante simples”, afirma o pesquisador.

 

Captura de CO2 é prioridade

Além de desenvolver a gaseificação do carvão, os empreendedores do segmento pretendem avaliar as técnicas de captura de CO2. Uma ação nesse sentido foi a renovação de cooperação tecnológica entre a Associação Brasileira de Carvão Mineral (ABCM) e o National Energy Technology Laboratory (NETL), ligado ao Departamento de Energia dos Estados Unidos, que mantêm desde 2007. A medida prevê a capacitação de brasileiros na área de captura e armazenamento de gás carbônico.

O projeto será coordenado pela Associação Beneficente da Indústria Carbonífera de Santa Catarina, com o apoio de técnicos do NETL. O primeiro curso acontece em dezembro deste ano. A captura e o armazenamento de carbono consistem em apanhar o CO2 gerado na queima de combustíveis fósseis, transportá-lo e armazená-lo no subsolo. O presidente da ABCM, Fernando Zancan, relata que a captura é uma ação que, comercialmente, ainda demorará alguns anos para ser implementada em escala mundial. Ele projeta que essa prática só será amplamente difundida se o planeta necessitar tratar do CO2, já que é um processo caro. No entanto, o dirigente defende que a indústria tem que ser preparada para “olhar essa tecnologia”.

O presidente da ABCM salienta que outra alternativa é utilizar o  o CO2 de maneira comercial. O gás pode ser injetado sob pressão para retirar mais petróleo de jazidas. Simplificando, ele funciona como uma força que empurra esse óleo para fora do local de seu armazenamento. Zancan argumenta que a indústria do carvão pode gerar o CO2 e repassar o gás para a indústria do petróleo. Segundo ele, esse procedimento começa a se tornar viável economicamente quando o barril de petróleo atinge patamares superiores a US$ 85,00. Também há estudos sobre o aproveitamento do carbono do CO2, com a mistura do hidrogênio, para a geração de combustível.

 


A Universidade Federal do Rio Grande (Furg) e a CGTEE-Eletrobras assinaram neste ano um novo contrato de parceria quanto às pesquisas de captura de CO2 utilizando microalgas. A atividade é realizada ao lado do complexo termelétrico a carvão que a estatal possui em Candiota. O trabalho foi iniciado em 2005. Em março de 2012, um novo convênio estendeu a experiência por mais 18 meses. Desde o começo das pesquisas, foram investidos cerca de R$ 3 milhões pela CGTEE-Eletrobras e Furg na ação.

O objetivo é atenuar os impactos ambientais da queima do carvão. O gás carbônico que sai pela chaminé da usina é levado a tanques, onde as microalgas estão sendo criadas, e, através da fotossíntese, esses seres absorvem o gás e produzem oxigênio. O professor da Furg e coordenador técnico do projeto, Jorge Alberto Vieira Costa, relata que isso implica a reprodução das microalgas, e a biomassa gerada é utilizada para obtenção de biocombustíveis, como o biodiesel e o biogás.

Segundo o pesquisador, a viabilidade tecnológica do processo foi comprovada, e o foco está em pontos como a questão econômica e de aumento de escala. Ele informa que já se chegou a obter uma captura de 50% da emissão de CO2, mas em uma menor escala.

Costa recorda que neste momento os projetos de novas usinas a carvão não podem se habilitar aos leilões de energia, promovidos pelo governo federal, para comercializarem a produção de energia e, por consequência, saírem do papel. “Essa iniciativa pode auxiliar na viabilização do aproveitamento do carvão e, se mudarmos a ótica sobre o mineral e o usarmos de forma adequada podemos gerar emprego e renda”, defende.

Fonte: Jornal do Comércio, Porto Alegre, 29 de outubro de 2012 - Segunda-feira


 

Publicação 29.10.2012 às 10:56
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