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Estado é referência em tecnologia petroquímica


Iniciativas desenvolvidas em território gaúcho na área de pesquisa e desenvolvimento da petroquímica ocupam lugar de destaque no cenário nacional
 
O Rio Grande do Sul tem um papel importante dentro do setor petroquímico, com gigantescas empresas que investem bilhões em pesquisa e desenvolvimento de produtos. Uma prova disso é que o Estado sedia estruturas como o Centro de Tecnologia e Inovação da Braskem, o Centro Petroquímico de Pesquisa e Desenvolvimento/Ulbra (Cepped/Ulbra) e o Centro de Tecnologia em Estirênicos da Innova.

O complexo da Braskem, que tem dez anos de atuação no polo de Triunfo, é considerado um dos mais completos centros de tecnologia de uma companhia petroquímica na América do Sul. Entre outros estudos, ali foram desenvolvidos os principais trabalhos quanto à produção do eteno e polietileno verde da empresa. A resina verde da Braskem é um item valorizado pelo mercado por ser obtido a partir de fonte renovável, o etanol da cana-de-açúcar, e preservar as características de desempenho de um polietileno tradicional, de matéria-prima fóssil, podendo ter utilização imediata nas mais variadas aplicações. Considerando sua cadeia produtiva inteira (com o crescimento da cana), até 2,5 toneladas de CO2 são retiradas da atmosfera para cada tonelada do produto fabricado. A companhia inaugurou, em setembro de 2010, a sua planta comercial em Triunfo, com capacidade para 200 mil toneladas de polietileno verde ao ano.

O centro de tecnologia gaúcho, que trabalha em parceria com outras duas unidades localizadas no estado de São Paulo e em Pittsburgh (EUA), tem elaborado outros produtos com apoio de clientes e universidades. Um desses exemplos foi o polipropileno especial para copos plásticos de requeijão. Ainda em Triunfo, a Braskem promoveu um processo de produção de nanocompósitos, que ocasionou o depósito de uma patente internacional. O complexo realizou o melhoramento de processos de produtos, desenvolvimento de novas aplicações, polímeros mais resistentes, entre outros. Esses esforços são fundamentais dentro do planejamento da empresa que quer ser uma das maiores do mundo na área petroquímica. O diretor de inovação e tecnologia da Braskem, Patrick Teyssonneyre, ressalta que hoje as companhias petroquímicas disputam uma concorrência global. Ele relata que, atualmente, as principais pesquisas são desenvolvidas em países da Europa e nos Estados Unidos. “Acredito que a gente faz um trabalho em pé de igualdade”, diz Teyssonneyre.

O executivo lembra que a Braskem realiza a pesquisa completa dentro do Rio Grande do Sul quando possui todas as competências e conhecimentos técnicos necessários. Caso contrário, busca associações com centros de pesquisas e universidades de outras nações. Ele comenta que, no desenvolvimento dos produtos petroquímicos convencionais (à base fóssil), nas unidades gaúchas da Braskem, os polímeros são o foco. “Fica em Triunfo o maior laboratório de pesquisa e suporte aos clientes de polímeros do Brasil”, ressalta Teyssonneyre. Desde 2002, de acordo com o dirigente, o centro de tecnologia da Braskem no Estado lançou aproximadamente 350 produtos ou aplicações. Hoje, o interesse está voltado para atribuir novas funções aos produtos fabricados.

Atuam no complexo de Triunfo em torno de 180 profissionais. Cerca da metade deles é procedente do Rio Grande do Sul e o restante de outros estados e de países como Chile, México, entre outros. A maioria do pessoal é composta de engenheiros químicos e de materiais. A Braskem já investiu, em ativos no centro de Triunfo, em torno de R$ 350 milhões. No ano passado, a empresa aportou um total de R$ 155 milhões em inovação e tecnologia. “Dos centros da Braskem, o de Triunfo é o mais avançado”, garante Teyssonneyre.


Formação de pessoal surge a partir do Polo de Triunfo
A criação de uma mão de obra e de pesquisadores na área petroquímica no Rio Grande do Sul surgiu a partir de uma necessidade básica: atendimento de demanda. O pesquisador do Centro Petroquímico de Pesquisa e Desenvolvimento/Ulbra (Cepped/Ulbra) Richard Faraco Amorim recorda que, no Estado, a formação de recursos humanos, operacional e de pesquisa iniciou simultaneamente com a implantação do polo petroquímico de Triunfo, no início da década de 1980.

Ele lembra que essa iniciativa ocorreu na Ufrgs. “O avanço na pesquisa e formação de pesquisadores no campo de catálise foi o de maior desenvolvimento”, aponta o pesquisador. Posteriormente, a Engenharia de Materiais, com formação de pessoas que desenvolvem novas aplicações de materiais petroquímicos ou propriedades, também passou por um grande avanço. “É possível afirmar que o Estado possui um elenco de pesquisadores que podem atuar do início da cadeia petroquímica, com os catalisadores, até a etapa final, na engenharia de materiais”, diz Amorim.

O Centro Petroquímico de Pesquisa e Desenvolvimento, que faz parte do conjunto de laboratórios da Ulbra e é coordenado pela Pró-Reitoria de Pesquisa e Pós-Graduação da Universidade, foi inaugurado em novembro de 2003, como resultado da parceria com a Braskem e fomentado pela Financiadora de Estudos e Projetos (Finep). O químico do Cepped/Ulbra Leandro dos Santos Silveira relata que as principais iniciativas da unidade sempre foram em projetos conjuntos com a Braskem, seja em catálise ou em desenvolvimento de processos e produtos. Atua também na prestação de serviços de algumas técnicas de caracterização, tais como ressonância magnética nuclear e difração de raios-X. Algumas das iniciativas realizadas levaram à publicação em revistas especializadas, como é o caso do polímero biodegradável.

Atualmente, o complexo está operando em trabalhos com o Centro de Pesquisa Leopoldo A. Miguez de Melo (Cenpes) da Petrobras. Essas ações envolvem a criação de produtos especiais em polietileno de alta densidade, polietileno linear de baixa densidade, polipropileno e catalisadores.

Recentemente, foi feita uma parceria com a empresa Premium Consultoria e Qualificação em Petroquímica, a qual está incubada no Parque Tecnológico da Ulbra (Ulbratech), com o objetivo de trabalhar com a inovação tecnológica em petroquímica. Ele acrescenta que a Ulbra oferecerá, ainda neste ano, um curso de especialização em poliolefinas, voltado à formação de profissionais com capacitação específica.


Diversificação de matérias-primas é uma tendência
Com os elevados preços do petróleo e por se tratar de um recurso finito, as petroquímicas mundiais estão, cada vez mais, procurando o desenvolvimento de produtos através de matérias-primas não convencionais. O diretor da consultoria MaxiQuim Otávio Carvalho ressalta que a África do Sul e a China avaliam o uso do carvão, os Estados Unidos o gás de xisto, o chamado shale gas, e o Brasil destaca-se nas oportunidades com fontes renováveis.

Carvalho salienta que o País é um dos maiores produtores de etanol do Planeta, possui uma grande área agrícola, com potencial de crescimento e, por isso, não há um dilema entre a produção de combustíveis ou de alimentos. Ele recorda que a possibilidade de aproveitar o etanol para fabricar eteno não é algo novo, já era viável na década de 1960. “O que mudou, é que hoje se faz de forma competitiva (em questão de custos) com relação às outras matérias-primas”, diz o consultor.

O diretor da MaxiQuim argumenta que um problema para diversificar o número de insumos renováveis que poderão ser aproveitados pelo setor petroquímico é justamente o custo competitivo do álcool proveniente da cana-de-açúcar. Caso haja competitividade, existem opções como, por exemplo, a casca de arroz.

Sobre a formação de pessoal, Carvalho comenta que, quanto aos cursos de Engenharia Química, a universidade permite uma base ampla, mas pouco aprofundada em determinados aspectos. “O estudante sai da faculdade sem saber muito bem o que se faz dentro de um polo petroquímico”, aponta. Ele ressalta que o Rio Grande do Sul é uma referência nacional em termos de polo petroquímico e um pioneiro global em polímeros de origem renovável em escala industrial. Na área técnica, o diretor cita como destaques os cursos da Fundação Escola Técnica Liberato Salzano, de Novo Hamburgo, e os do Sesc e Senai. “Nesse sentido, vemos o Estado bem posicionado dentro do País”, diz Carvalho.

A Fundação Escola Técnica Liberato Salzano oferece cursos técnicos de química, mecânica, eletrotécnica, eletrônica e segurança de trabalho. Além disso, possui estagiários atuando em diversos setores da Petrobras (Refap) e em empresas do polo petroquímico. “Muitos deles são contratados posteriormente por essas companhias”, relata o diretor de Pesquisa e Produção Industrial da Fundação, Leori Carlos Tartari.

De acordo com ele, existem duas linhas de pesquisas ligadas à petroquímica no Rio Grande do Sul: a das empresas privadas e das universidades. Tartari detalha que os estudos feitos nas companhias, situadas principalmente no polo petroquímico, estão acima da média do País, pois o centro de tecnologia da maior empresa, a Braskem, está sediado ali. Considerando as universidades, argumenta Tartari, a Ufrgs apresenta pesquisa nessa área, tanto no Departamento de Química como na Engenharia de Materiais e Engenharia Química, inclusive com algumas parcerias com empresas privadas. Na Pucrs, existe o Centro de Excelência em Pesquisa e Inovação em Petróleo (Cepac), Recursos Minerais e Armazenamento de Carbono, criado com a Petrobras, dedicado ao desenvolvimento e implantação de tecnologias para redução das emissões de dióxido de carbono.

O dirigente acrescenta que a linha de atuação atual da Fundação Liberato e de outras escolas técnicas atendem à questão técnica com o foco em polímeros. “É importante manter contato com as empresas para aprimoramento contínuo”, ressalta. Ele sustenta que é preciso evoluir nos currículos para que as escolas atendam às novas demandas em função do pré-sal e outras necessidades.

“Para tudo isso, o desafio é a qualificação”, diz Tartari. Segundo ele, primeiro é preciso qualificar os
educadores. Além disso, argumenta, é necessário que o Estado invista para mudar as estruturas de laboratórios que se encontram  defasados, tanto na parte da pesquisa e inovação em produtos quanto em processos na comparação com tecnologias usadas nas cadeias produtivas das indústrias.


Meta é reduzir impacto ambiental
Além das pesquisas na chamada petroquímica verde, envolvendo matérias-primas renováveis, nos próximos anos o segmento deve intensificar os estudos na busca da maior sustentabilidade, em termos ambientais, para a cadeia do plástico. Segundo o diretor de inovação e tecnologia da Braskem, Patrick Teyssonneyre, há trabalhos para conseguir uma redução de peso ou espessura dos produtos plásticos.

Outro objetivo será deixar mais funcionais os polímeros fabricados, especialmente, o polietileno. “A ideia é conferir algumas propriedades que eles ainda não têm, como adesividade, e desenvolver embalagens inteligentes que possam mudar de cor e indicar produtos estragados”, explica.  A pesquisa envolvendo a alteração da coloração está em uma fase embrionária dentro da Braskem. A empresa busca informações de mercado e avalia as rotas tecnológicas que poderão ser adotadas.

Na petroquímica com insumos renováveis, um destaque é a produção do polipropileno verde. Uma das rotas tecnológicas que a Braskem busca trabalhar é a biotecnológica, que abrange biologia molecular e manipulação de microrganismos. “Tem todo esse aspecto biológico, a operação é diferente à praticada na petroquímica tradicional e temos que aprimorar essa tecnologia”, aponta.

A Braskem pretende construir uma planta com escala industrial (30 mil toneladas ao ano de polipropileno verde), que deverá operar na segunda metade de 2013. O investimento é estimado em R$ 170 milhões. O centro de Triunfo, assim como no caso do polietileno verde, também realizou pesquisas em relação ao polipropileno verde. A base tecnológica não era nova, mas foi preciso atualizá-la. Percebendo o interesse do mercado pelo fator de sustentabilidade, com a captura de CO2 da atmosfera, houve espaço para a comercialização do novo produto feito a partir do etanol.

Fonte: Jornal do Comércio - JC Empresas & Negócios - Segunda-feira, 18 de junho de 2012

Publicação 18.06.2012 às 11:41
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